Quem toca guitarra no Brasil, em algum momento, acaba esbarrando na Tagima.

Para muita gente, ela aparece logo na primeira pesquisa por uma guitarra. Para outros, vem depois, quando surge a vontade de subir de nível, procurar um instrumento nacional mais elaborado ou conhecer modelos ligados a artistas brasileiros.

E isso diz bastante sobre a posição que a marca conquistou.

A Tagima nasceu no Brasil e construiu uma trajetória que passou da luthieria para uma operação de escala muito maior, com linhas que hoje atendem desde quem está começando até músicos profissionais. A própria marca divide atualmente suas guitarras entre famílias como Memphis, TW Series, Classic Series, Jazz 'N' Blues, Brazil Series e Signature Series, cada uma com uma proposta diferente.

Mais do que conhecer os nomes, acho interessante entender o que muda quando você sobe de uma linha para outra e qual tipo de guitarra faz sentido para o seu jeito de tocar.

Da luthieria brasileira para uma marca de alcance internacional

A história começa em 1986, com o luthier Seizi Tagima, em São Bernardo do Campo. O trabalho começou em uma escala pequena, ligada à construção e personalização de instrumentos, e foi ganhando espaço entre músicos brasileiros ao longo dos anos.

Um momento decisivo veio em 1996, quando a Marutec assumiu os direitos da Tagima e iniciou uma nova fase de expansão da marca. A partir daí vieram investimentos em estrutura, produção, desenvolvimento de produtos e presença em feiras internacionais como Musikmesse e NAMM. Hoje, a própria Tagima destaca também sua expansão para o mercado norte-americano por meio da Tagima USA.

Atualmente, Márcio Zaganin lidera a produção e o desenvolvimento de produtos da marca, mantendo uma ligação forte entre a escala industrial e a tradição de luthieria que sempre fez parte da história da Tagima.

Acho que essa trajetória ajuda a entender muito do catálogo atual.

A Tagima não é uma marca com uma única proposta. Ela consegue colocar no mesmo universo uma guitarra bastante acessível para quem está começando e instrumentos brasileiros mais sofisticados, feitos para músicos que já sabem exatamente o que procuram.

Antes da linha, pense no tipo de guitarra que você quer

Aqui vale não cair na armadilha de começar simplesmente pelo preço.

Dentro da própria linha de instrumentos Tagima disponível na Ninja Som, existem guitarras com propostas bastante diferentes.

Uma guitarra com três single coils pode fazer muito sentido para quem busca cleans, blues, pop, funk e uma sonoridade mais aberta.

Uma configuração com humbuckers pode conversar melhor com quem quer mais corpo, ganho e peso para rock ou estilos mais pesados.

Uma guitarra com configuração HSS, humbucker na ponte e singles nas outras posições, tenta justamente ficar em um meio-termo interessante, permitindo partir de sons mais tradicionais até uma ponte com mais força.

E ainda existem diferenças de ponte, braço, escala, número de trastes e construção.

Ou seja, antes de perguntar “qual Tagima é melhor?”, eu pensaria primeiro:

que tipo de som você quer tirar dela?

Memphis: quando a ideia é começar

A linha Memphis ocupa um espaço importante no catálogo porque coloca a guitarra ao alcance de quem está entrando nesse universo.

E acho que esse ponto merece ser tratado com naturalidade.

Quem está comprando a primeira guitarra não precisa necessariamente começar procurando o instrumento mais sofisticado possível.

Precisa de uma guitarra que permita aprender acordes, escalas, riffs, desenvolver técnica e descobrir quais tipos de som realmente gosta.

A primeira guitarra também é uma fase de descoberta.

Às vezes, a pessoa começa querendo tocar rock e, seis meses depois, está completamente apaixonada por blues. Ou compra pensando em base e descobre que gosta mesmo é de solo.

Por isso, um instrumento de entrada coerente pode fazer muito mais sentido do que investir em características que o músico ainda nem sabe se vai valorizar.

TW Series: uma linha que aparece muito nessa evolução

Quando a pesquisa sobe um pouco, a TW Series começa a aparecer bastante.

Ela está presente no catálogo oficial da Tagima como uma das famílias principais de guitarras e traz diferentes shapes e propostas dentro de uma faixa que costuma conversar muito bem com quem está começando ou já passou da fase mais básica.

Aqui começa a ficar especialmente interessante comparar configurações.

Em vez de escolher só pela cor, vale olhar:

  • formato do corpo;

  • tipo e quantidade de captadores;

  • ponte;

  • braço;

  • escala;

  • número de trastes.

São essas diferenças que começam a revelar para que lado aquela guitarra tende.

É também uma fase em que experimentar dois ou três instrumentos pode ensinar mais do que passar uma hora comparando especificações na internet.

Strat, Tele, modelos modernos: o shape também conta uma história

Mesmo quem ainda não conhece muito de guitarra costuma perceber que existem formatos que se repetem.

Algumas têm três captadores e corpo contornado.

Outras têm desenho mais simples, dois captadores e aquela estética clássica de guitarras tipo T.

Outras já trazem recortes mais agressivos, 24 trastes, humbuckers e uma linguagem claramente mais moderna.

Essas diferenças não são só visuais.

O formato costuma caminhar junto com ergonomia, escala, acesso às casas agudas e configuração eletrônica.

Por isso, o shape pode ser um bom ponto de partida, mas eu nunca escolheria só por ele.

A guitarra mais bonita da loja pode não ser aquela que melhor se encaixa na sua mão ou no seu repertório.

Se você gosta dessa parte mais histórica dos shapes clássicos, vale também conhecer o conteúdo da Ninja sobre a história e os modelos icônicos da Fender.

Classic Series: quando a referência tradicional ganha mais espaço

Subindo dentro da própria organização da Tagima, aparece a Classic Series.

Como o nome já sugere, essa linha trabalha bastante com referências tradicionais de guitarra, mantendo shapes familiares dentro de uma proposta acima das linhas mais acessíveis. Ela segue como uma das famílias oficiais no catálogo atual da marca.

Esse tipo de instrumento costuma começar a chamar atenção de quem já tem alguma experiência e quer mais refinamento de construção, componentes e tocabilidade sem necessariamente mudar para uma guitarra de linguagem completamente diferente.

E aqui existe uma coisa interessante: evoluir de guitarra não significa obrigatoriamente procurar um instrumento mais exótico.

Às vezes, o músico só quer uma versão melhor resolvida de uma linguagem que já sabe que gosta.

Brazil Series: o lado brasileiro mais sofisticado da Tagima

A Brazil Series é uma parte especialmente importante da identidade da marca.

É onde a Tagima coloca instrumentos produzidos no Brasil com uma proposta mais alta de construção e acabamento. No site atual, modelos como Stella, T-920 e Rocker Cosmos aparecem inclusive destacados como instrumentos da série Handmade in Brazil.

Aqui já estamos falando com outro perfil.

É o guitarrista que começa a olhar com mais cuidado para:

  • qualidade das madeiras;

  • braço e acabamento;

  • ferragens;

  • captadores;

  • estabilidade;

  • sensação geral do instrumento.

É uma compra menos baseada em “quero uma guitarra para começar” e mais em “sei o que gosto e quero um instrumento que entregue isso melhor”.

Essa passagem entre linhas é interessante porque mostra justamente a amplitude da Tagima.

Dá para entrar na marca com uma proposta simples e continuar dentro dela até instrumentos brasileiros bem mais sofisticados.

Captadores: talvez a decisão que mais muda o caráter da guitarra

Se alguém me perguntasse qual item da ficha técnica merece atenção especial, eu provavelmente começaria pelos captadores.

Eles têm influência enorme sobre o sinal que vai para o amplificador.

Single coil

Normalmente entrega um som mais aberto, definido e brilhante.

É muito associado a blues, funk, pop, country, rock clássico e cleans de vários estilos.

Humbucker

Tende a entregar mais corpo, saída e densidade.

Aparece muito em rock, hard rock, metal e também em sons limpos mais encorpados.

HSS

Mistura as duas propostas.

O humbucker na ponte traz mais força para drive e solos, enquanto os singles permitem explorar outras sonoridades nas posições restantes.

Para alguém que ainda toca muitos estilos diferentes, uma guitarra HSS pode ser uma solução bastante versátil.

Mas, novamente, isso não transforma uma configuração em melhor que a outra.

Só muda a ferramenta.

Ponte fixa ou tremolo?

Outra escolha que parece pequena até começar a tocar.

A ponte fixa tende a ser simples, estável e direta.

Para quem não pretende usar alavanca, pode ser uma solução excelente.

Já uma ponte com tremolo permite alterar a afinação das notas usando a alavanca, abrindo possibilidades para vibratos e efeitos característicos.

Existem ainda sistemas mais sofisticados, como pontes de dois pivôs e sistemas tipo Floyd Rose, encontrados em guitarras voltadas a usos mais específicos.

No catálogo atual da Tagima, por exemplo, a Signature Series inclui instrumentos com construções bem mais especializadas, incluindo modelos com Floyd Rose e até guitarras multiscale.

Para quem está começando, porém, eu não escolheria uma ponte complexa só porque parece mais profissional.

Quanto mais sofisticado o sistema, maior também pode ser a atenção necessária com regulagem e troca de cordas.

Signature Series: quando o instrumento nasce junto com o músico

A Tagima também tem uma tradição interessante de trabalhar com artistas brasileiros.

Atualmente, a lista de Signature Artists da marca inclui nomes como Juninho Afram, Edu Ardanuy, Cacau Santos, Marcinho Eiras, Nelson Faria, Roger Franco e Mateus Starling, entre outros.

E aqui vale o mesmo raciocínio que já falamos quando tratamos de instrumentos signature e da relação entre músicos e grandes marcas: não é apenas uma questão de colocar o nome do artista no headstock.

Um bom instrumento signature nasce de escolhas que fazem sentido para a forma como aquele músico toca.

Pode mudar:

  • formato do braço;

  • captação;

  • ponte;

  • escala;

  • número de trastes;

  • controles;

  • acabamento.

No catálogo da Tagima, a série do Juninho Afram mostra bem isso. Há instrumentos com diferentes configurações de captadores, sistemas Floyd Rose e até um modelo multiscale de sete cordas, mostrando uma proposta bem específica para determinadas linguagens de guitarra.

Naturalmente, esse nível de especificidade interessa muito mais a quem já sabe o que procura.

Como escolher sua primeira Tagima

Eu tentaria não complicar demais.

Primeiro, pense nas bandas e guitarristas que você gosta de ouvir.

Que tipo de guitarra eles usam?

Você gosta de som clean?

Quer bastante distorção?

Toca pop, rock, blues, metal ou worship?

Depois, pense no conforto.

A guitarra precisa encaixar bem no corpo, e o braço precisa parecer agradável para a sua mão.

Depois disso, olhe para captadores e ponte.

E só então comece a comparar linhas e detalhes menores.

Para a primeira guitarra, uma Memphis ou uma opção da TW Series pode fazer muito sentido, dependendo do orçamento e da proposta.

Para alguém que já toca e quer subir de nível, Classic Series e outras linhas começam a entrar na conversa.

E, conforme a exigência cresce, Brazil Series e Signature Series abrem possibilidades bem mais específicas dentro do catálogo.

Na seleção de instrumentos Tagima da Ninja Som, dá para comparar diferentes propostas da marca dentro desse processo.

Isso me parece uma forma muito mais lógica de navegar pela Tagima do que simplesmente ordenar as guitarras da mais barata para a mais cara.

Regulagem faz mais diferença do que o iniciante imagina

Tem uma coisa que vale falar sempre que o assunto é guitarra.

Um bom instrumento mal regulado pode proporcionar uma experiência ruim.

Altura das cordas, curvatura do braço, oitavas, nut e regulagem da ponte influenciam diretamente a sensação de tocar.

Principalmente para quem está começando, cordas excessivamente altas podem fazer a pessoa achar que guitarra é muito mais difícil do que deveria ser.

Por isso, instrumento e regulagem precisam caminhar juntos.

Trocar de guitarra nem sempre é a primeira solução. Às vezes, uma boa regulagem já transforma completamente o instrumento que você tem.

A guitarra precisa conversar com o amplificador também

Outro ponto que vale lembrar é que o som final nunca vem só da guitarra.

Captadores entram no amplificador.

O amplificador reage aos captadores.

Pedais entram nessa cadeia.

Ganho, equalização e efeitos mudam tudo novamente.

Por isso, testar uma guitarra desligada ajuda a sentir braço, peso e construção, mas ouvir o instrumento amplificado também é fundamental para entender sua personalidade.

E, se possível, vale testar em uma regulagem próxima daquela que você realmente pretende usar.

Onde a Ninja Som entra nessa escolha

A Tagima é uma marca que permite comparações muito interessantes porque atende perfis bastante diferentes.

Na Ninja Som, você encontra opções da Tagima para quem está escolhendo a primeira guitarra, modelos para quem já toca e quer evoluir e instrumentos voltados a músicos mais exigentes.

E esse é um tipo de produto em que a loja física ajuda muito.

Segurar duas guitarras, sentir os braços, perceber o peso, testar posições dos captadores e ouvir ambas no mesmo amplificador consegue resolver dúvidas que são difíceis de responder apenas olhando uma tabela.

Ficha técnica ajuda a entender a guitarra.

Mas a mão e o ouvido continuam tendo a palavra final.

Conclusão

A trajetória da Tagima ajuda a contar um pedaço importante da guitarra brasileira.

Ela começou ligada à luthieria, ganhou escala, atravessou uma grande transformação a partir da década de 1990 e hoje trabalha com instrumentos que vão de opções de entrada a guitarras brasileiras sofisticadas e signatures desenvolvidas junto a músicos profissionais.

Mas, para quem está escolhendo uma guitarra, talvez o mais importante não seja decorar todas essas linhas.

É entender em qual delas a sua necessidade se encaixa.

Uma guitarra para aprender não precisa resolver os mesmos problemas de uma guitarra de palco profissional. Da mesma forma, um instrumento cheio de recursos não é necessariamente melhor para alguém que prefere simplicidade.

No fim, uma boa escolha começa menos pelo nome escrito no catálogo e mais por três coisas: o som que você procura, a sensação do instrumento na sua mão e a vontade que ele dá de continuar tocando.

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Michel Dergham

Sobre o Autor

Michel Dergham

🎧Apaixonado por música, audiófilo e diretor de operações da Ninja Som – Empresa varejista especializada em equipamentos de áudio profissional e instrumentos musicais. 🥷 Há mais de 20 anos no mercado, conectando músicos, DJs, igrejas, estúdios e profissionais do áudio com as melhores marcas do mercado.

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